Trechos do livro: O amor nos tempos do cólera (Parte 1)

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Gabriel García Márquez parece fazer o impossível nesse livro pra lá de memorável, consegue ser sublime e feroz tudo em uma obra só.  A escrita é de uma singularidade particular, quando se lê um trecho logo se percebe que é do autor, que une uma multiplicidade de detalhes com a capacidade de fazer o leitor se prender mais e mais a cada página.

Quem não está acostumado com a escrita do autor de início se vê meio intimado e até um pouco confuso com seus tantos flashbacks e inserções de um enredo dentro do outro, mas após um certo tempo se intoxica com tamanha desenvoltura e fica difícil não querer mais. Outra característica que se observa é a riqueza de detalhes, Márquez consegue realmente fazer o cenário mental ser montado e faz com excelência.

Agora vamos ao que interessa, optei por dividir em duas partes esse post pois são muitos trechos sensacionais e por o livro ser um pouco mais extenso. Partindo desse ponto, gostaria de lembrar que os trechos aqui descritos vão até a página 203.

Trechos:

“Achava mais fácil suportar as dores alheias que as próprias.” p. 16

“Lembre de mim como uma rosa.” p.25

“Tinha ido descobrindo aos poucos a insegurança dos passos do marido, seus transtornos de humor, as fissuras de sua memória, seu costume recente de soluçar durante o sono, mas não os identificou como os sinais inequívocos do óxido final e sim como uma volta feliz à infância. Por isso não o tratava como a um ancião difícil e sim como a um menino senil, e esse engano foi providencial para ambos porque os pôs a salvo da compaixão.” p. 39

“Mas se alguma coisa haviam aprendido juntos era que a sabedoria nos chega quando já não serve de nada.” p.39

“Bastou ao médico um interrogatório insidioso,primeiro a ele e depois à mãe para comprovar uma vez mais que os sintomas do amor são os mesmos do cólera.” p.82

Lembrou a ele que os fracos não entram jamais no reino do amor, que é um reino impiedoso e mesquinho, e que as mulheres só se entregam aos homens de ânimo resoluto, porque lhes infundem a segurança pela qual tanto anseiam para enfrentar a vida.” p.86

“– Responda a ele que sim – disse.– Ainda que você esteja morrendo de medo, ainda que depois se arrependa, porque seja como for você se arrependera a vida inteira se disser a ele que não.” p.94

“Ela lhe parecia tão bela, tão sedutora, tão diferente da gente comum, que não compreendia que ninguém se transtornasse como ele com as castanholas dos seus saltos nas pedras do calçamento, ou tivesse o coração descompassado com os ares e suspiros de suas mangas, ou não ficasse louco de amor o mundo inteiro com os ventos de sua trança, o voo de suas mãos, o ouro de seu riso.” p.129

“Mas ao contrário daquela vez não sentiu agora a comoção do amor e sim o abismo do desencanto. Num instante teve a revelação completa da magnitude do próprio engano.” p.131

“Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado.” p.134

“Fez essa constatação com a compaixão dos filhos que a vida foi convertendo pouco a pouco em pais dos próprios pais, e pela primeira vez  doeu-lhe não ter estado ao lado seu na solidão dos erros que cometeu.” p.142

“Hildebranda tinha uma concepção universal do amor, e achava que qualquer coisa que acontecesse com uma pessoa afetava todos os amores do mundo inteiro.” p. 161

“Hildebranda confessou: quando o doutor Juvenal Urbino vendou os olhos e ela viu o brilho dos seus dentes perfeitos entre os lábios rosados, tinha tido um desejo irresistível de comê-lo aos beijos. Fermina Danza se virou para a parede e pôs fim à conversa sem intuito de ofender, até sorrindo, mas com todo o coração.
– Que puta que você é! – disse.” p.170

“Nunca teve pretensões de amar e ser amada, embora sempre nutrisse a esperança de encontrar algo que fosse como o amor, mas sem os problemas do amor.” p.188

“Começaram a se ver com menos frequência à medida que ela alargava seus domínios, e à medida que ele explorava os seus tratados de encontrar alívio para seus velhos padecimentos em outros corações desarvorados, e por fim se esqueceram sem dor.” p. 189

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